Dilma ligou para o governador Sérgio Cabral parabenizando-o pela marcha contra os inimigos do Estado. Os inimigos do Estado são vendedores de droga que moram em favelas. O petismo sempre manteve uma negociação bastante solícita com as Farc, cujo pretexto para a prática do tráfico e produção das drogas é o financiamento de uma revolução popular. O que falta aos nossos traficantes, assim como aos brasileiros em geral, é um cadinho de criatividade.
A maioria votante foi ganha em 2010 através de um discurso bipolar: trata-se de mudar de opinião o tempo inteiro, de acordo com aquilo que melhor se encaixa nas pretensões de alcance do poder. O que falta aos traficantes é essa politização do discurso. Seria bem fácil reivindicar um “movimento legítimo e popular, brotado dos morros onde os pobres são esmagados pela ditadura do capital”. Certamente, esse discurso encantaria a natureza sonhadora e irracional do brasileiro: a truculência do Estado, com seus tanques e sua artilharia pesada, contra um bando de traficantes que modestamente atiram fogo nos carrões dos burgueses da Zona Sul carioca. “Isso se chama revolução!”, diriam entusiasmados. Não estou defendendo o tráfico, estou dizendo que é fácil criar um discurso de esquerda com base em violências praticadas, como fez o PT. Só isso.
As Farc estão diretamente vinculadas à droga vendida nos morros e, evidentemente, figurões políticos lucram com esse comércio. E para onde vai a droga dos morros? Evidentemente que alguém consome toda essa droga. Ninguém fala nos consumidores, que afinal de contas são o motor do comércio. O problema é que metade dos estudantes que fazem militância em universidades é usuário de drogas. As viagens esotéricas que permitem ao eleitorado pseudo-politizado passar por cima do lastro ilimitado de contradições do discurso vencedor petista só pode estar no consumo torrencial da droga. Aliás, quando Rohter insinuou que a cachaça era um problema para a governabilidade, ele foi impedido de sair do país. Falar qualquer coisa de Lula é ser inimigo do Estado, enquanto ele pode, publicamente, vomitar toneladas de bobagens sendo aplaudido vividamente, quase como fosse Jesus Cristo enunciado parábolas hiperbólicas que só vão ser compreendidas daqui 2000 anos.
Evidentemente, o petismo vai dissimular o problema das drogas. O espetáculo televisivo vai continuar. O tráfico vai continuar. As Farc vão continuar. Enquanto isso, o Estado se ufana de dar combate aos “inimigos dos morros”, sendo respaldado pela televisão, essa amiga “golpista”, enquanto Dilma liga e parabeniza as ações militares. "Metamorfose ambulante" é pouco para explicar a mutação desses discursos...
sábado, 27 de novembro de 2010
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1 comentários:
Lule, seu estilo de escrita me emociona. Tem calma, meu amigo, algo que passa ao largo de alguém como eu. A abordagem feita por você sobre uma questão que nos incomodou bastante, apesar de estarmos numa inantigida Icaraí, tem o deboche do cansaço desta imbecilidade que admiro em você desde o primeiro e despretensioso bate papo.
Não suma, Lule, meu irmão.
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