segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Caça às bruxas

Para restaurar o edifício corrompido de nossa sociedade, é necessário antes de tudo lançar um bom olhar para a educação, onde, afinal de contas, os jovens espíritos se tornam estagiários nas coisas de D-us e iniciam uma longa vida de expiação pelo fato de Adão ter comido uma maçã. A atual independência das crianças e sua permeabilidade ao grande afluxo de informações que brota de aparelhos elaborados recentemente, como o rádio, abre espaço a uma porção de perspectivas de vida, esquecendo, afinal de contas, que mais de uma Bíblia não é necessária para uma boa educação.

As aulas de ciências deveriam ser substituídas pela apologética bíblica e o português pelo aramaico antigo, língua útil para destrinchar as revelações. As apostilas escolares, forradas de imagens de satanistas célebres, como Voltaire, Rousseau ou Marilyn Manson, deveriam estar repletas de cruzes e imagens do Calvário, a lembrar às crianças a incomensurável culpa da raça humana – fazendo com que sequer elas desejassem ter nascido, mas que, já que nasceram, se penitenciem diariamente ouvindo a discografia da Banda Calypso ou jogos de futebol narrados pelo Galvão Bueno.

De uma forma geral, a escola vem sendo achincalhada por princípios relativistas de filósofos franceses. Basta lembrar que os franceses são quase que em sua totalidade sodomitas e veneram um grande falo, popularmente chamado de Torre Eiffel. Sob essa inspiração, a doutrina do intercurso invadiu as escolas: os jovens deixaram de crescer percebendo em suas intimidades um sinal de alerta (no caso do homem, o pênis funciona como uma antena que, uma vez rija, o conecta diretamente a Satanás).

Quanto à sociedade como um todo, a fornicação deveria ser realizada apenas debaixo de expressa autorização das autoridades religiosas, segundo instruções muito específicas, como portar a bíblia debaixo do colchão e evitar posições licenciosas, restringindo-se ao confiável e dignificante “papai e mamãe”. Pelo contrário, a impudicícia sexual é instilada desde cedo na cabeça das pessoas – daí o alerta aos catequistas e jesuítas. Boa parte dessa onda de atrofiamento moral vem de revistas e gibis, como a Turma da Mônica, por exemplo, que trata de uma gordinha gulosa, Magalides, e das travessuras de Salsinha (ou Cebolinha, se não me engano), sempre pensando em manter intercurso com Monica – para não falar na intolerável luxúria de Franjinha. A ampla difusão desse tipo de literatura herética deriva do esquecimento do index librorum prohibitorum adotado pelo Concílio de Trento em 1546.

A educação física é outro construto diabólico enxertado na sociedade pelo Tinhoso, e que mostra que sua influência perniciosa transcende o âmbito da produção ideológica propriamente dita. No handebol, por exemplo, os homens vestem shorts apertados e pulam de forma serelepe, assumindo assim o papel de damas. As mulheres vestem calças apertadas e montam em cavalos, quando deviam vestir o véu e se dedicar apenas a competições culinárias. Outros esportes, ainda mais torpes, como o golfe e o tênis, reproduzem nos tacos e raquetes o formato de falos. No xadrez, o rei come a rainha e até mesmo a rainha come o rei!

Para expulsar o Príncipe das Trevas de nossa sociedade são necessárias, enfim, medidas enérgicas, corajosas, que visem estancar o processo de mudanças que teve início com o final da Idade Média, ainda que adquiram imensa impopularidade dentre os relativistas, conspiradores, debochados e maconheiros. É necessário rever célebres erros instaurados pelos cientistas, como “a terra é uma bola” ou “não existem águas em cima do firmamento” ou, por fim, que não somos todos filhos de Adão e Eva e das relações incestuosas de seus filhos.

2 comentários:

julialeao disse...

Por mais que sejam feitos alguns esforços de algumas pessoas ou sintamos vontade de melhorar a situação, é difícil de acreditar que ela pode acontecer segundo a Bíblia as coisas tentem a ficar cada vez piores! E eu infelizmente sinto saudades dos gibis!

Luís Francisco Munaro disse...

E o meu singelo texto não passa de uma ironia.