De acordo com pesquisa de 2003 do sindicato de jornalistas do Distrito Federal, mais da metade dos jornalistas formados no Brasil trabalham em assessorias. Esse número é ainda maior com relação a jornalistas não formados. A informação, antes confinada num ambiente técnico onde reinava soberano o imperativo duvidoso da objetividade, cada vez mais é ela mesma produzida pelos protagonistas dos eventos. A concentração da produção de notícias nas assessorias gera um círculo de retro-alimentação: confortáveis, os jornalistas recebem notas oficiais, enquanto os assessores são bonificados com publicidade gratuita.
Uns querem publicar e outros ser publicados. A reportagem e a investigação, que são as grandes contribuições do jornalismo para o conhecimento do tempo presente, são enxugadas. Enquanto isso, o jornalismo se limita à tarefa de bricolagem de informações adquiridas por telefones ou mesmo de dados extraídos da internet. Os jornalistas engordam nas redações, se é que, de forma ou de outra, ainda se os pode chamar de jornalistas.
A abolição da necessidade do diploma para o jornalismo é, nesse aspecto, previsível. Não é necessária nenhuma habilidade especial para compor textos simples, senão aquelas aprendidas no ensino fundamental. O segundo quesito, um bom relacionamento com instâncias de poder, é aprendido com uma boa dose de dissimulação e conveniência. Acariciar aqui, passar a mão acolá. Enquanto isso, o número de jornalistas se multiplica indefinidamente, todos pavoneando a sua condição de fontes privilegiadas de informação.
Como prefaciava o notável sociólogo e jornalista Ignácio Ramonet:
“O sistema já não os quer. Podia funcionar sem eles. Ou digamos, antes, que aceita funcionar com eles, mas atribuindo-lhes um papel menos decisivo: o de operários numa produção em cadeia (...). Dito de outra maneira, rebaixando-os para a categoria de retocadores de despachos de agência. A qualidade do trabalho dos jornalistas está em vias de regressão e, com a precarização galopante da profissão, acontece o mesmo com o seu estatuto social.”
sexta-feira, 31 de julho de 2009
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3 comentários:
bricolagem: fazer o novo com o velho.
Eu conheci essa palavra lendo a subliteratura dos manuais e compêndios de 'Comunicação', por conta dos atos burocráticos da graduação. Referia-se a técnicas de construção de textos publicitários.
A saber, assisti integralmente à sessão do STF a respeito do RE 511961. Mesmo boçal, o presidente da casa votou bem.
E o que diz o RE 511961?
Recurso Extraordinário, RE 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão.
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